
Wat Phra Singh, Wat Chedi Luang, Wat Chiang Man e Doi Suthep formam o coração espiritual da antiga capital do reino Lanna.
Neste artigo
Chiang Mai repousa em uma bacia montanhosa no norte da Tailândia, preservando o legado cultural do antigo Reino Lanna. O centro histórico da cidade, delimitado por fossos de água e ruínas de muralhas antigas, abriga uma concentração impressionante de templos budistas. Estas estruturas não são apenas monumentos decorativos, mas centros de vida espiritual que definem a identidade local há séculos.
A paisagem urbana é marcada pelas silhuetas de telhados pontiagudos e decorações em folha de ouro que brilham sob o sol tropical. Cada templo, conhecido localmente como Wat, desempenha um papel específico na organização da comunidade. A diversidade arquitetônica e a preservação desses espaços tornam a região um dos pontos de peregrinação e estudo cultural mais relevantes do sudeste asiático.
História
A trajetória religiosa de Chiang Mai começou oficialmente por volta do ano de 1296, quando o Rei Mengrai fundou a cidade para ser a nova capital do reino. O Wat Chiang Man foi o primeiro templo erguido nesse período, servindo como residência temporária para o monarca durante a construção das muralhas. A simplicidade das formas iniciais e a presença de estátuas de Buda esculpidas em pedra indicam a antiguidade e o valor sagrado deste local para os primeiros habitantes das montanhas.
Com o passar das décadas, a importância política da cidade trouxe a necessidade de edifícios mais monumentais e simbólicos. O Wat Chedi Luang, construído no século XIV, tornou-se o coração geográfico e espiritual de Chiang Mai, abrigando uma imensa estupa que servia como ponto de referência para toda a região. No entanto, o destino deste monumento mudou drasticamente em 1545, quando um forte terremoto causou o desabamento parcial de sua estrutura superior, deixando as ruínas que hoje revelam as camadas de tijolos e o interior da construção.
Já o Wat Phra Singh consolidou-se como o centro do budismo clássico na região ao receber influências do estilo Lanna puro, caracterizado pelo uso extensivo de madeira entalhada e murais que retratam a vida cotidiana e as tradições de outrora. No alto de uma montanha próxima, o Wat Phra That Doi Suthep surgiu no século XIV seguindo uma trajetória de fé ligada ao desejo de abrigar relíquias sagradas em um ponto de difícil acesso e grande elevação.
Curiosidades
A fundação do templo no alto da montanha guarda uma narrativa fascinante sobre a escolha do local exato. De acordo com as crônicas regionais, um elefante branco carregando uma relíquia sagrada subiu a encosta da montanha e, após emitir três sons e dar três voltas, parou de caminhar, indicando onde o Wat Phra That Doi Suthep deveria ser construído. Para alcançar o topo onde a estupa dourada reluz, é necessário vencer uma escadaria extensa ladeada por guardiões serpenteantes chamados Nagas, totalizando exatamente 306 degraus de subida.
Outro fato marcante reside na arquitetura singular do estilo Lanna, que utiliza curvas nos telhados para representar o movimento das chamas e a proteção contra energias negativas. Em Wat Chedi Luang, os visitantes notam estátuas de elefantes que parecem sustentar a base da grande torre, um detalhe que sobreviveu aos séculos de exposição ao clima e aos tremores de terra. A própria palavra Chiang Mai significa cidade nova, um nome que reflete a ambição do Reino Lanna em estabelecer um centro de poder e espiritualidade renovado diante das pressões de reinos vizinhos.
O cotidiano nesses templos exige uma postura de profundo respeito por parte de quem os visita. É fundamental observar o vestuário adequado, cobrindo ombros e pernas com tecidos opacos e sem transparências antes de cruzar os portões principais. A melhor época para explorar essas construções coincide com os meses de novembro a fevereiro, quando as temperaturas estão mais amenas e o céu permanece limpo para a observação das estupas douradas.
Por Que Tantos Templos em Uma Só Cidade
Chiang Mai concentra centenas de templos budistas dentro de uma área relativamente pequena porque, historicamente, cada bairro da antiga capital do Reino Lanna tinha seu próprio wat como centro comunitário, funcionando também como escola, ponto de encontro e local de cerimônias. Essa estrutura de organização social em torno dos templos se manteve ao longo dos séculos, e é por isso que basta caminhar poucos quarteirões na cidade velha para encontrar um novo templo, muitas vezes sem nenhum turista por perto.
A Rotina dos Monges Por Trás dos Portões Dourados
Por trás da beleza dourada das estupas, os templos de Chiang Mai funcionam como comunidades monásticas ativas, com rotina rígida que começa antes do amanhecer com a coleta de esmolas pelas ruas. É comum ver jovens monges, muitos ainda adolescentes, que ingressam na vida monástica por período determinado como tradição cultural, não necessariamente para toda a vida. Essa prática temporária é bastante comum entre homens tailandeses budistas em algum momento da vida.
O Costume dos Sinos e Placas de Ouro
Muitos templos de Chiang Mai têm filas de pequenos sinos de bronze penduradas ao longo dos corredores, que os visitantes podem tocar como forma de espalhar boa sorte e afastar energias negativas. Outro costume comum é a compra de pequenas placas de ouro para colar em estátuas de Buda como oferenda, um gesto de fé que também ajuda financeiramente na manutenção dos templos. Vale observar antes de participar, já que cada templo pode ter sua própria forma específica de conduzir essas práticas.
Erro Comum: Esquecer de Tirar os Sapatos
Um deslize recorrente entre visitantes de primeira viagem é esquecer que é obrigatório tirar os sapatos antes de entrar nos salões principais dos templos, mesmo quando a entrada não tem nenhuma placa visível de aviso. A regra vale também para alguns pátios externos ao redor de estátuas importantes. Levar meias limpas de reserva e sapatos fáceis de calçar e descalçar economiza tempo e evita constrangimento na frente de outros visitantes e fiéis locais.
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