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Macau: A China Portuguesa Entre Cassinos e Igrejas Centenárias
· 6 min de leitura

Macau é uma viagem dentro da viagem. Em poucos quilômetros quadrados, a antiga colônia portuguesa mistura azulejos lusitanos, templos budistas e os maiores cassinos do mundo.
Neste artigo
- Largo do Senado e o Centro Histórico
- A Macau dos Cassinos: Um Mundo à Parte
- Gastronomia Macaense: O Encontro de Dois Mundos
- A Igreja de São Domingos e o Templo A-Má
- Vale a Pena Visitar Macau?
- Por Que Macau Foi Colônia Portuguesa
- A Ruína Que Virou Símbolo da Cidade
- Como Macau Virou a Capital Mundial dos Cassinos
- Etiqueta e Dica Prática Para Circular pela Cidade
Visitar Macau é como entrar em duas cidades ao mesmo tempo. De um lado, vielas estreitas com calçadas portuguesas em ondas pretas e brancas, igrejas barrocas amareladas e o cheiro de bacalhau saindo de pequenos restaurantes. Do outro, arranha-céus iluminados em néon, cassinos colossais que fazem Las Vegas parecer pequena e uma energia vibrante que só a Ásia moderna consegue produzir.
Macau é uma Região Administrativa Especial da China, assim como Hong Kong, e foi colônia portuguesa por mais de 400 anos, até 1999. Essa herança lusitana está em tudo, nas placas de rua bilíngues em chinês e português, na arquitetura, na gastronomia e até no jeito de viver.
Largo do Senado e o Centro Histórico
Nosso primeiro contato com Macau foi pelo Largo do Senado, e foi impossível não se emocionar. Aquele chão de calçada portuguesa em ondas, exatamente como em Lisboa, com prédios coloridos em tons pastéis ao redor, parecia um pedaço de Portugal transplantado para a Ásia.
O centro histórico de Macau é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2005, e por boas razões. Caminhando pelas ruelas, você encontra a Igreja de São Domingos, com sua fachada amarela vibrante, o Senado, hoje sede do governo local, e dezenas de pequenas lojas e cafés que misturam tradição chinesa e portuguesa.
A grande estrela do centro é a fachada das Ruínas de São Paulo, tudo o que sobrou de uma igreja jesuíta do século XVII destruída por um incêndio. Subir as escadarias até essa fachada solitária recortada contra o céu é um dos momentos mais marcantes de uma visita a Macau.
A Macau dos Cassinos: Um Mundo à Parte
Atravessando a cidade em direção ao Cotai Strip, você entra em uma realidade completamente diferente. Macau é o maior centro de jogos do mundo, com receita várias vezes maior que a de Las Vegas.
Os cassinos aqui não são apenas casas de jogo, são complexos gigantescos que reproduzem cidades inteiras. Tem o Venetian, com canais e gondoleiros cantando ópera italiana. Tem o Parisian, com uma réplica em escala da Torre Eiffel. Tem o Wynn, o MGM, o Galaxy, cada um mais espetacular que o outro.
O icônico Casino Lisboa, com sua arquitetura inconfundível em formato de coroa dourada iluminada em neon, é um marco da cidade desde os anos 70 e representa a era em que Macau começou a se transformar na capital mundial dos jogos. Ver aquela fachada à noite, brilhando em vermelho, dourado e azul, é uma experiência cinematográfica.
Mesmo que você não jogue, vale entrar para ver. A escala é absurda, e o contraste com a Macau histórica que você visitou pela manhã é parte da magia da cidade.
Gastronomia Macaense: O Encontro de Dois Mundos
A comida de Macau é um capítulo à parte. A culinária macaense é considerada a primeira fusão gastronômica do mundo, criada quando portugueses começaram a se misturar com chineses, malaios e indianos há séculos.
Provamos o galinha à africana, prato icônico criado em Macau com pimenta africana, leite de coco e amendoim. Comemos o famoso minchi, uma carne moída temperada servida com arroz e ovo frito por cima. E claro, não saímos sem provar o pastel de nata local, vendido na famosa Lord Stow's Bakery, que muitos consideram o melhor do mundo, rivalizando com os de Belém.
A Igreja de São Domingos e o Templo A-Má
Esse encontro de culturas fica ainda mais evidente quando você visita templos e igrejas em sequência. A Igreja de São Domingos, com seu interior branco e dourado, parece ter sido transportada diretamente de Évora ou Coimbra.
Já o Templo A-Má, dedicado à deusa do mar, é o templo mais antigo de Macau, anterior à chegada dos portugueses. Aliás, é dele que vem o nome da cidade, A-Má-Gao, ou Baía de A-Má, foi entendido pelos portugueses como Macau.
Visitar os dois no mesmo dia é uma aula viva sobre como duas culturas tão diferentes conseguiram conviver e se influenciar por séculos.
Vale a Pena Visitar Macau?
Sem dúvida. Macau é uma daquelas viagens que cabem perfeitamente em um bate e volta a partir de Hong Kong, com ferries rápidos saindo o dia todo, mas merece pelo menos dois dias para ser apreciada com calma.
É uma cidade pequena em tamanho, mas gigantesca em contrastes. Em poucas horas você passa de uma capela barroca para um cassino futurista, de uma feira tradicional chinesa para uma confeitaria portuguesa, de um templo taoísta para uma réplica de Veneza.
Para nós, brasileiros, há ainda um charme extra. Ouvir português falado em pleno coração da Ásia, ver as placas em nossa língua e provar sabores que nos remetem a Portugal cria uma sensação de familiaridade inesperada do outro lado do mundo.
Macau não é apenas a Las Vegas asiática. É um microcosmo único onde Oriente e Ocidente se encontraram, brigaram, se apaixonaram e construíram juntos algo que não existe em mais nenhum lugar do planeta.
Por Que Macau Foi Colônia Portuguesa
Macau se tornou território sob administração portuguesa ainda no século XVI, quando comerciantes lusitanos obtiveram autorização das autoridades chinesas para se estabelecer na península em troca de pagamentos e do combate à pirataria na região. Foi o primeiro entreposto europeu permanente na China e também um dos últimos a ser devolvido: a transferência de soberania para a China só aconteceu em 1999, quase quatro séculos depois. Esse tempo todo de convivência é o que explica a mistura única de arquitetura, religião e culinária que se vê até hoje pelas ruas.
A Ruína Que Virou Símbolo da Cidade
A famosa fachada da Igreja de São Paulo, um dos cartões-postais mais fotografados de Macau, é tudo que restou depois que um incêndio destruiu o restante da construção no século XIX. A igreja já havia sido reconstruída antes por causa de outro incêndio anterior, e depois da última destruição optou-se por preservar apenas a fachada de pedra como está hoje, funcionando quase como um monumento independente. Curiosamente, atrás dela não existe mais nenhum templo, apenas escadarias e uma área que hoje serve como mirante para os visitantes.
Como Macau Virou a Capital Mundial dos Cassinos
A liberação dos jogos de azar em Macau remonta ao século XIX, mas foi só a partir dos anos 2000, com a abertura do setor a operadores internacionais, que a cidade ultrapassou Las Vegas em receita de cassinos. Grandes grupos de Las Vegas passaram a construir megaempreendimentos na região conhecida como Cotai, transformando áreas que antes eram mar em um complexo gigantesco de resorts. Hoje o jogo é responsável por boa parte da economia local, algo que contrasta fortemente com o clima tranquilo do centro histórico português.
Etiqueta e Dica Prática Para Circular pela Cidade
Macau é pequena e bem conectada por ônibus públicos baratos, então não costuma ser necessário táxi para se locomover entre o centro histórico e a zona dos cassinos. Muitos hotéis-cassino oferecem vans gratuitas entre si e até até a fronteira com a China continental, uma forma prática e sem custo de cruzar a cidade. Vale levar identificação sempre à mão, já que o controle de fronteira entre Macau, Hong Kong e a China continental é rigoroso mesmo para quem só está transitando entre bairros próximos.
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